De emblemas e limites

Galeria de Artes do Instituto de Artes

Maio de 2026

Somos criaturas de hábitos. Acostumamo-nos às coisas por comodismo ou por condicionamento e, nesse movimento, naturalizamos estruturas que nós mesmos criamos, mesmo quando elas nos aprisionam. Sobretudo quando seus efeitos recaem sobre aqueles que fomos ensinados a perceber como diferentes de nós. É nesse terreno que o trabalho de Alexandre Frangioni se inscreve: há, em sua produção, uma insistência em retornar àquilo que, por constituir a vida social, é apresentado como dado e, portanto, pouco interrogado. Emblemas, signos de pertencimento e dispositivos de ordenação simbólica são formas que, ao longo da história, sustentaram e legitimaram o exercício do poder.

De emblemas e limites toma como ponto de partida um processo histórico de longa duração, cujas reverberações ainda organizam o presente: a violência instaurada a partir da invasão europeia ao território que viria a ser chamado Brasil. Mais do que reconstituir esse passado, o artista evidencia a persistência de seus mecanismos. Como em outros momentos de sua produção, Frangioni articula diferentes temporalidades, fazendo com que episódios distantes se revelem menos como fatos encerrados do que como estruturas em operação contínua.

Entre símbolos e matérias, entre passado e presente, o que se delineia é um campo de disputa — não apenas sobre a história, mas sobre as formas de vida que insistimos em sustentar.

Sylvia Werneck
outono de 2026